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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Fela Kuti - Na Poi (1971)

Já que Tiê postou Open & Close, resolvi postar este que, juntamente com o primeiro, são o melhores discos de Fela Kuti. Aliás, na minha humilde opinião, este está um tiquinho à frente... ah, difícil demais decidir. Escutem e tirem suas próprias conclusões!


Antes de postar Open & Close, vovó pensava que o passo seguinte e natural seria a postagem de um disco de outro artista*. Mas eu entrei numa de ouvir Fela Kuti e não parei mais. É assim, o hôme contamina os ouvidos da gente. E o cérebro também! Daí você quer aprender mais sobre ele, sobre a Nigéria, sobre a África... e descobre um punhado de coisa que remete a história do nosso próprio país. A influência que tem o yoruba no português falado aqui no Brasil, por exemplo. Axé, acarajé, candomblé, moleque, bunda, todas são palavras oriundas daquela região, do yoruba e também de outras línguas faladas na costa oeste da África. Além disso, Fela Kuti fez-me compreender um pouco mais da realidade daquele continente esquecido por muitos. A pouco eu não sabia nem mesmo quem era Obasanjo**... e duvido que muitos o saibam. Taí uma coisa pra se pensar: quantos de vocês já se irritaram ao saber que os americanos do norte acham que Buenos Aires é a capital do Brasil e que nós falamos espanhol? Pois agora respondam: qual a capital da Nigéria? Que língua é falada lá?.. Perdoados, porém a véia aqui aconselha aos mizunfios que estudem sobre isso. Já pensaram se vocês vão algum dia trabalhar em Abuja (capital da Nigéria)? O país é rico em petróleo e tem também um setor de mineração forte. Basta falar inglês e seria também interessante que se falasse, yoruba, haussa ou igbo (línguas faladas lá). Dado o recado, vamos ao prato do dia.
Na Poi é um disco com duas faixas apenas. No lado A do LP fica a faixa título. Como tudo indica (prestem atenção ao que Fela diz no início da música), poi significa "sexo", "transa", e na é o correspondente ao verbo ser mais o sujeito, no pidgin english falado por Kuti. Isso mesmo, mizufios, Na Poi significa "É transa"! Olhem a capa. Aôoo, trem bão! O rapaz, então, leva a moça pra casa, eles se trancafiam no quarto e depois, só felicidade! (Se bem me lembro, era assim mesmo, hehe...). A música, então, se propõe a descrever esse momento sublime. É uma quebradeira, uma variação de posições (dos instrumentos), algumas falas no meio (é bom, né?), solos de metais e de bateria, variação na velocidade e na intensidade da coisa; pausa pra descanso e depois tudo de novo! Tudo muito suingado, ritmado. Bom, viu? Só que, como ninguém é de ferro, depois de 25 minutos e 17 segundos, a coisa termina: aaaaaaaaaaaah!!! O lado B vem recheado com a faixa You No Go Die Unless You Wan Die. De cara, Fela Kuti ensina: "Você não vai morrer, a não ser que você queira morrer; mas se você quiser mesmo morrer, você VAI morrer!". Verdadeiro como a grande maioria dos provérbios africanos; intenso como a realidade daquele continente. Pra manter a linha do discurso inicial, a música vem quente, com baixo e bateria graves e redondos; shekere e cowbell chacoalhando e tilintando o tempo todo - eu não canso de ouvir essa cozinha! A parede metálica vem, como sempre, afinada e cortante, respondendo à cozinha e ao frontman e, em certos momentos, falando sozinha. Das músicas desse menino que vovó já ouviu, essa é a que tem a guitarra mais funky. Aliás, essa é uma das composições mais funky de Fela. Coisa linda, mizunfios! Ó, o disco tá aí. Braço nocês e axé pra todos!


Tracklist:
01- Na Poi
02- You No Go Die Unless You Wan Die

* Foi assim que comecei a postar discos de mesmo artista juntos
** Presidente da Nigéria
 
Download

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Fela Kuti - 1971 - Open & Close




só felation, só felation!


e textinho da vovó:
e claro, baixar só lá na cozinha da vovó conga, via link da capa. /\

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"Caramuru! Saudação pro pai Fela, esteja onde ele estiver. Fez muito pela música e pela justiça social. Pra quem já conhece, a oportunidade de relembrar; pra quem não conhece e ficou curioso com a penúltima postagem, aqui está a oportunidade de matar essa lombriga. Esse disco é do início de sua carreira como afrobeatman. Antes disso, ele tocava highlife, outro estilo musical típico na Nigéria, mas após contato com o funk e os movimentos de resistência negra dos EUA, durante uma excursão que fez com sua então banda, o Koola Lobitos, Fela Kuti fundiu essa coiserada toda e a queimou como combustível do propulsor afrobeatico (lê-se afrobítico). Fela idealizou tudo, foi o maestro de toda a coisa e, para realizá-la, necessitava de músicos novos. Deu de cara com Tony Allen. Disse: "Cara, você soa como quatro baterias ao mesmo tempo!". Allen ainda era um garoto de 21 anos, mas já era o melhor da Nigéria. Fela não pensou duas vezes... tal confiança permitiu que, em anos de trabalho juntos, Allen fosse o único músico a compor tudo o que tocou na Africa '70, sendo que, para o resto dos músicos, as composições eram normalmente feitas por Fela Kuti. Sem sombra de dúvidas, Africa '70 foi a melhor banda que Kuti já reuniu.Open & Close é um dos discos prediletos da vovó, pois, por ser do início da carreira de Fela Kuti, repassa toda a fúria deste homem sem perder em alegria. São apenas três faixas, todas impecáveis e balançantes. A primeira, a faixa título, tem no som dos metais a representação do próprio título: abrir e fechar, indicando-se os passos da dança. A cozinha moendo (reparem o solo de bateria de Tony Allen por volta do segundo minuto: a caixa soa linda!) e os metais cortando o tempo todo. "One, two, three, fooouurr!!!". Abrir e fechar, abrir e fechar, abrir e fechar... Mais adiante, o frontman nos ensina a dança: "Put your legs and arms together / put your legs and arms away!"; os backing vocals: "open and close!". Continua assim até um final mais calmo, comandado por Fela e seu teclado.
A segunda faixa, Swegbe And Pako, começa num underground spiritual game, continua num crescente de teclados e metais hipnóticos, até que... "Ouu!!!", grita o hôme, indicando que ali a macumbeira começa pesada. Dali em diante, mantém-se os ciclos de baixo e de duas guitarras que dialogam o tempo inteiro. Kuti discursa, backing vocals repondem. "Na Swegbe êeee... na Pakooo". É lindo! Na sequência vem um solo de teclado do hôme, antecedendo um final alto e apoteótico.
A terceira e última faixa, Gbagada Gbagada Gbogodo Gbogodo (isso provavelmete é somente uma onomatopéia), é quebradeira pura. Começa num ritmo que se estende até os 50 segundos iniciais, quando muda pra outro, numa passagem linda. Na sequência, Tony Allen dispara uma variedade de loops, vai e vem, e se acalma, pianinho. Solo de sax, a música cresce e diminui de novo, até que o cabôco solta a voz: "Gbogodo Gbogodo Gbogodo Gbogodo Gbogodo...". Fela pergunta, os backings respondem. Entra novamente a banda toda e vovó só imagina uns pés dançantes, como num samba bem rápido, frenético. Fela, então, entra com um solo hipnótico em seu teclado que culmina num breve "silêncio". Cantarolando, Kuti conduz a banda pro final e dá o sinal: "Ôoooo!". A Africa '70 volta a cena com toda a força, diminui um tiquinho na sequência, quando se mantém uma linha mais grave de metais; o hôme canta em resposta a eles e a metaleira ressurge, finalizando o ritual iniciado."

boa uvida!

*lembrando que, o sistema de clicagem para download na cozinha de lá é por intermédio de através do título da postagem.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Biografia sobre Fela traduzida e com direito a préfacio de Gil




tá a caminho... quem sabe no fim desse ano ou começo de 2011..

O livro This Bitch of a Life, biografia de Fela Kuti, escrito pelo mestre Carlos Moore já está sendo traduzido para o Português. Tenho a honra de, a convite do autor, estar na coordenação deste projeto que visa colocar a obra na rua em outubro próximo por ocasião das atividades do Fela Day Brasil. Juntamente com o tradutor Bruno Madeira e a professora e editora Íris Amâncio, estamos enfrentando esta demanda em consórcio, o que tem tudo a ver com os princípios políticos libertários de Fela Kuti e do Afrobeat. Além de garantir um preço popular que facilite o acesso de todos a essa biografia.

Ainda precisamos ultrapassar algumas barreiras, para cumprir nosso objetivo final, que é de arte, amor e luta. Mas temos a convicção que o Brasil terá acesso a esta fundamental história de vida e rebeldia construtiva muito em breve.

Para o projeto ganhar fôlego e avançar na segunta etapa, que é consta da impressão, contaremos com a parceria da Editora Nandyala juntamente com o selo Fela Brasil (nome provisório de nosso selo). A terceira e última etapa, para que de fato o livro circule, dependemos dos parceiros da Bahia de todo o Brasil, o que inclui, necessariamente, vocês...

Logo logo convoco a todos pra esta aliança vital que pode se estabelecer a partir do Fela Day Brasil 2010 em outubro.

catado pelo Gramática da Ira

terça-feira, 23 de março de 2010

Fela na Tv Brasil




Quem ver verá, e sentirá a brilhanteza do Fela da Kalakuta, da Afrika Shrine. Hoje na Tv Brasil, nessa estatal maravilhosa, às 00:00 no programa mama africa. Bem... vai passar um documentário sobre ele legendado "A Música é a Arma".

Vale muito a pena, é uma boa introdução a Fela. O documentário se passa, creio eu, pelo final da decada de 70 e começo dos 80s. Passando por eventos importantes, quanto aos regimes ditatoriais nigerianos, o curto periodo "democrático" em que ele tentou candidatura a presidência; mostra a atmosfera de lagos naqueles tempos e a Kalakuta Republic, o espaço automo onde ele fazia suas reuniões shows e rituais religiosos.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Fela Day Post!

Hoje, no iraq, será comemorado o fela day. a comemoração terá exibição do documentário "Music Is A Weapon" (que disponibilizo aqui também, nesse post), discotecagem e uma maravilhosa jam com os musicos nigerianos Ade Jones (voz) e Aig Asibor (bateria), tendo como convidado especial Jabah Pureza (guitarra).

Fela Day no Recife
Discotecagem, exibição de filme e jam session
Data: Quinta - 15/10 - A partir das 18h
Local: IRAQ - Rua do Sossego, 179 - Boa Vista - Recife
Entrada: R$ 5,00 (Gratuito até às 19h)

Biografia de fela:

Fela Anikulapo Kuti (Abeokuta, 1938 — 1997) foi um multi-instrumentista nigeriano, músico e compositor, pioneiro da música afrobeat, ativista político e dos direitos humanos.

Fela Kuti nasceu em Abeokuta, no estado de Ogun, na Nigéria em uma familía de classe média. Sua mãe, Funmilayo Ransome-Kuti, foi uma feminista atuante no movimento anticolonial, e seu pai, Reverendo Israel Oludotun Ransome-Kuti, um pastor protestante e diretor de escola, foi o primeiro presidente da União Nigeriana de Professores. Seus irmãos Dr. Beko Ransome-Kuti e Olikoye Ransome-Kuti, eram ambos conhecidos na Nigéria.

Ele mudou-se para Londres em 1958 com a intenção de estudar Medicina, mas acabou decidindo estudar música no Trinity College of Music. Lá, ele formou a banda Koola Lobitos, tocando um estilo de música que chamaria posteriormente de Afrobeat. O estilo era uma mistura do Jazz americano com o Highlife da África Ocidental. Em 1961, Fela casou-se com sua primeira esposa, Remilekum (Remi) Taylor com quem ele teria três filhos (Femi, Yeni e Sola). Em 1963 Fela voltou para a Nigéria, reformou o Koola Lobitos e trabalhou como produtor de rádio para a Empresa Nigeriana de Transmissão . Em 1969 Fela levou a banda para os Estados Unidos. Lá, Fela descobriu o movimento Black Power através de Sandra Smith (hoje Isidore), uma partidária do Panteras Negras, que influenciaria fortemente sua música e suas visões politícas e renomou a banda para “Nigeria 70”. Logo, o Serviço de Naturalização e Imigração foi informado por um empresário que Fela e sua banda estavam nos EUA sem licença de trabalho. A banda então realizou uma rápida sessão de gravação em Los Angeles, que mais tarde viria a ser lançado como “The ‘69 Los Angeles Sessions”.

Fela e sua banda, renomeada para “Africa ‘70” retornaram para a Nigéria. Ele então formou a República Kalakuta, uma comuna, um estúdio de gravação e uma casa para muitos conectados à banda a qual mais tarde ele declarou independente do Estado da Nigéria. Fela montou uma boate no Empire Hotel, chamado de Afro-Spot e depois Afrika Shrine, onde ele cantava regularmente. Fela também mudou o seu nome do meio para “Anikulapo” (que significa “aquele que carrega a morte no bolso”), declarando que o seu nome do meio original, Ransome, era um nome de escravo. As gravações continuaram e a música se tornou mais motivada politicamente. A música de Fela se tornou bastante popular entre os cidadãos nigerianos e africanos em geral. De fato, ele decidiu cantar em um Pidgin baseado no inglês de forma que sua música pudesse ser apreciada por indivíduos de toda a África, onde as línguas faladas locais são muito diversas e numerosas. À medida que a música de Fela tinha se tornado popular na Nigéria e em todo lugar, ela também era bastante impopular entre o governo no poder e ataques à República Kalakuta eram freqüentes. Em 1974, a polícia chegou com um mandado de busca e um cigarro de cannabis, o qual tinha a intenção de ocultar em posse de Fela. Ele se deu conta disso e engoliu o cigarro. Em resposta, a polícia o levou em custódia e esperou para examinar suas fezes. Fela conseguiu a ajuda de seus companheiros presos e entregou à polícia as fezes de outra pessoa, Fela foi assim liberado. Ele então relatou o incidente em seu lançamento Expensive Shit.

Em 1977 Fela e a Afrika 70 lançaram o sucesso Zombie, um ataque mordaz aos soldados nigerianos, usando a metáfora “zumbi” para descrever os métodos das forças armadas nigerianas. O álbum foi um sucesso esmagador entre o público e enfureceu o governo, dando início a um cruel ataque à República Kalakuta, durante o qual mil soldados atacaram a comuna. Fela foi severamente espancado, e sua mãe idosa foi arremessada de uma janela, causando ferimentos fatais. A República Kalakuta foi incendiada e o estúdio, instrumentos e gravações originais de Fela foram destruídos. Fela afirmou que teria sido morto se não fosse pela intervenção de um oficial comandante quando estava sendo espancado. A resposta de Fela ao ataque foi enviar o caixão de sua mãe para o quartel principal em Lagos e escrever duas canções, “Coffin for Head of State” e “Unknown Soldier”, referindo-se ao inquérito oficial que afirmou que a comuna foi destruída por um soldado desconhecido.

Fela e sua banda foram então morar no Crossroads Hotel, visto que a Shrine tinha sido destruída junto com sua comuna. Em 1978 Fela casou-se com vinte e sete mulheres, muitas das quais eram suas dançarinas e vocalistas, para marcar o aniversário do ataque na República Kalakuta. O ano foi marcado também por dois notórios espetáculos, o primeiro em Acra no qual ocorreram tumultos durante a música “Zombie” que levaram Fela a ser proibido de entrar em Gana. O segundo foi no Berlin Jazz Festival após o qual a maioria dos músicos de Fela o abandonou, devido a rumores de que Fela estava planejando utilizar a totalidade dos lucros para financiar sua campanha presidencial.

Apesar dos maciços retrocessos, Fela estava determinado a voltar. Ele formou seu próprio partido político, que chamou de Movimento do Povo . Em 1979 ele se candidatou a presidente nas primeiras eleições da Nigéria após mais de uma década mas sua candidatura foi recusada. À essa época, Fela criou uma nova banda chamada “Egypt 80” e continuou a gravar álbuns e viajar pelo país. Ele ainda enfureceu as autoridades políticas colocando os nomes do vice-presidente da ITT Moshood Abiola e do então General Olusegun Obasanjo ao final de um discurso político de 25 minutos sucesso de vendas intitulado “International Thief Thief”.

Em 1984 ele foi novamente atacado pelo governo militar, que o prendeu sob uma dúbia acusação de lavagem de dinheiro. Seu caso foi acompanhado por vários grupos de direitos humanos e, após vinte meses, ele foi libertado pelo General Ibrahim Babangida. Ao ser liberto ele divorciou-se de suas doze esposas restantes, dizendo “Casamento traz ciúmes e egoísmo”. Mais uma vez, Fela continuou a lançar álbuns com a Egypt 80, fez algumas turnês de sucesso no Estados Unidos e na Europa e também continuou politicamente ativo. Em 1986 Fela se apresentou no Giants Stadium em Nova Jérsei como parte do show “Conspiração da Esperança” da Anistia Internacional, junto com Bono, Carlos Santana e The Neville Brothers. Em 1989 Fela & Egypt 80 lançou o álbum antiapartheid “Beasts of No Nation” que exibe em sua capa o Presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan, a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher e o primeiro-ministro da África do Sul P.W. Botha com caninos pingando sangue.

Sua produção de álbuns reduziu na década de 90 e ele enfim parou de lançar mais álbuns. A luta contra a corrupção militar na Nigéria esstava causando estragos, principalmente durante a ascenção do ditador Sani Abacha. Também estavam se espalhando rumores de que ele estava sofrendo de uma doença da qual se recusava a tratar. Em 3 de Agosto de 1997 Olikoye Ransome-Kuti, um já proeminente ativista contra a AIDS e anterior Ministro da Saúde, surpreendeu a nação anunciando a morte de seu irmão mais novo um dia antes de Sarcoma de Kaposi causado por AIDS. (O irmão mais novo deles, Beki, estava preso no momento pelas mãos de Abacha por atividade política). Mais de um milhão de pessoas compareceram ao funeral de Fela no local do antigo recinto da Shrine. Uma nova Africa Shrine foi aberta depois da morte de Fela em uma diferente seção de Lagos sob a supervisão do seu filho Femi Kuti.


O Afrobeat:

Afrobeat é um som e um movimento, música e um estado de espírito. É o alegre despertar de um continente a partir de um pesadelo e caos colonial e a consciencia de que o pesadelo ainda não acabou, a angústia ea felicidade chantilly, juntamente com tambores tradicionais, guitarras baratas, e amplificadores ainda mais baratos.

O afrobeat surge pouco tempo após a independencia nigeriana, num contexto de regimes autoritários, instabilidade política, miséria e caos social. Afrobeat é o cinema, polirritmia, som sinfônico funk que Fela desenvolvia com super baterista Tony Allen, mas é muito mais que isso.

consolidando... é essencialmente uma fusão de jazz, funk e cantos tradicionais africanos. Possui percussão de estilo africano, vocais e estrutura musical que passa por jazz e seções de funky horn. O “endless groove” também é usado, com um ritmo básico com baterias, muted guitar e baixo que são repetidos durante a música. Essa é uma técnica comum na África e em estilos musicais influenciados por ela, como o funk e o hip-hop. Alguns elementos presentes nas músicas de Fela são chamados de call-and-response (chamada e resposta) com o coro e alguns simples mas significativos rifes. A música de Fela quase sempre tem mais do que dez minutos, alguns atingindo a marca de vinte ou trinta minutos. Essa é uma das muitas razões que sua música nunca atingiu um grau de popularidade substancial fora da África. Sua música era mais tocada em línguas nigerianas, além de algumas músicas tocadas em ((Yoruba)). Os principais instrumentos de Fela, era o saxofone e o teclado, mas ele também tocava trompete, guitarra e ocasionalmente solos de bateria. Fela se recusava a tocar músicas novamente após já tê-la gravado, o que por sua vez retardos sua popularidade fora d África. Fela era conhecido por sua performance, e seus concertos eram tidos como bárbaros e selvagens. Ele referência sua atuação como um jogo espiritual underground.


Hoje o afrobeat sofre de constante renovação, com uma cena cada vez mais sólida, muito bem representade neste blog, tendo nomes como Antibalas, Fanga, Kokolo, Burro Morto, Amayo's Fu-Arkist-Ra, Femi e Seun Kuti, Jimi Tenor & Kabu Kabu, . Festas celebram esse rítimo no Brasil, como é o caso da Makula no rio, a "This is Afrobeat" em curitiba. e provavelmente deve ter manifestações em são paulo e minas, eu creio. recife necessita de uma, necessita criar uma cena afrobeatesca. João pessoa tem Burro Morto como grande representante, mas também de um deep funk recheado de elementos do rock progressivo

discografia do vovô Fela:

1971 Live ! (with Ginger Baker) Regal Zonophone / Pathe Marconi
1971 Why Black Man Dey Suffer Africa Songs Limited
1972 Stratavarious (with Ginger Baker) Polydor / Atco
1972 Na Poi EMI HMV
1972 Open & Close EMI / Pathe Marconi
1972 Shakara EMI / Editions Makossa / Pathe Marconi / Creole
1972 Roforofo Fight Jofabro / Editions Makossa / Pathe Marconi
1973 Afrodisiac EMI/ Regal Zonophone / Pathe Marconi
1973 Gentleman EMI / Pathe Marconi / Creole
1974 Alagbon Close Jofabro / Editions Makossa
1975 Noise for Vendor Mouth Afrobeat
1975 Confusion EMI / Pathe Marconi
1975 Everything Scatter Coconuts / Creoles
1975 He Miss Road EMI / Pathe Marconis
1975 Expensive Shit Soundwork Shops / Editions Makossa
1976 No Bread Soundwork Shop / Editions Makossas
1976 Kalakuta Shows Kalakuta / Editions Makossa
1976 Upside Down Deccas Afrodisia
1976 Ikoyi Blindness Africa Music
1976 Before I Jump Like Monkey Give Me Banana Coconut
1976 Excuse O Coconut
1976 Zombie Coconut / Creole / Mercury
1976 Yellow Fever Decca Afrodesia
1977 Opposite People Decca_Afrodesia
1977 Fear Not For Man Decca Afrodesia
1977 Stalemate Decca Afrodesia
1977 Observation No Crime Decca Afrodesia
1977 Johnny Just Drop (J.J.D Live!! at Kalakuta Republic) Decca Afrodesia
1977 I Go Shout Plenty Decca Afrodesia
1977 No Agreement Decca Afrodesia / Barclay / Celluloid
1977 Sorrow, Tears and Blood Kalakuta
1978 Shuffering and Shmiling Coconut / Celluloid
1979 Unknown Soldier Phonodisk / Uno Melodic
1979 I.T.T. (International Thief Thief) Kalakuta
1980 Music of Many Colours (with Roy Ayers) Phonodisk / Celluloid
1980 Authority Stealing Kalakuta
1981 Black President Capitol
1981 Original Sufferhead Lagos International / Arista
1981 Coffin for Head of State Kalakuta
1983 Perambulator Lagos International
1983 Live In Amsterdam Wrasse
1985 Army Arrangement Kalakuta / Celluloid
1986 Teacher Don’t Teach Me Nonsense Polygram / Barclay
1989 Beasts of No Nation Kalakuta / Eurobound / Shanachie
1989 O.D.O.O. (Overtake Don Overtake Overtake) Kalakuta / Shanachie
1990 Confusion Break Bones Kalakuta
1990 Just Like That Kalakuta
1992 Underground System Kalakuta / Sterns

documentário "Music Is A Weapon"(com legendas em português):

parte 1



parte 2



parte 3



parte 4



parte 5



parte 6



infelizmente está todo fragmentado no youtube, mas a qualidade tá legal e as legendas também.

terça-feira, 16 de junho de 2009

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Fela Kuti - 2004 - The underground spiritual game

01 - Intro
02 - Ololufe Mi
03 - Trouble Sleep Yanga Wake Am
04 - Look and Laugh
05 - Mr. Grammarticalogylisationalism Is the Boss



06 - Monkey Banana
07 - Ariya
08 - Unnecessary Begging
09 - Swegbe and Pako
10 - Mr. Follow Follow
11 - Africa Centre of the World

felaproject